Amadeo
de Souza-Cardoso, nascido a 14 de novembro de 1887, em Amarante, é considerado
o pintor mais representativo do modernismo português do princípio do século XX.
Filho
de Emília Cândida Ferreira Cardoso e José Emygdio de Sousa Cardoso, membros de
uma poderosa família da burguesia rural, Amadeo cresceu num ambiente de
privilégio e beneficiou de uma educação de nível elevado. Já em 1905,
entra no curso preparatório de desenho Academia Real de Belas-Artes, em Lisboa,
tendo partido em novembro desse ano para Paris, onde se instala no bairro de
Montparnasse, famoso pelo seu ambiente boémio e pela sua concentração de
artistas e intelectuais e vem então a realizar a sua primeira exposição no seu
atelier parisiense, juntamente com o pintor italiano Modigliani, de quem se
tornara amigo. Também estabeleceu laços de amizade com Robert Delaunay, Juan
Gris e Max Jacob, entre outros.
Em
1913, após publicar o álbum XX Dessins,
em Berlim, e ilustrar o manuscrito de La legende,
de Flaubert, é selecionado para participar na exposição que o levaria a
conhecer o modernismo europeu aos Estados Unidos. No ano seguinte regressa a
Portugal e à sua terra natal. No nosso país, Amadeo é incompreendido nas novas
tendências de arte que representa- o expressionismo, o cubismo, o futurismo, o
abstracionismo-, com exposições individuais mal recebidas no Porto e em Lisboa,
sobretudo pelo choque que causaram na tradicional sociedade lusa. Entretanto,
durante uma estadia na capital, estabelece amizade com Almada Negreiros e o
grupo Orpheu.
No período final da sua
vida seria afligido por uma doença de pele que lhe desfigura o rosto e o impede
de trabalhar com as mãos. Debilitado, abandona Manhufe rumo à cidade costeira
de Espinho para evitar a epidemia de Gripe Espanhola. Porém, vem a falecer a 25
de outubro de 1918, em Espinho, vítima da febre pneumónica.
Adriana Fernandes, Ana Cruz
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