"Aparição" é um romance de Vergílio Ferreira que se baseia na filosofia existencialista, que aborda o tema do "milagre de ser".
Alberto Soares é a personagem principal e identifica-se, de certo modo, com o autor desta obra. Nasceu numa aldeia da Serra da Estrela e teve uma educação tradicional em que os valores religiosos eram bastante importantes. Assim, ia à missa e era crente, em criança. No entanto, deixa de o ser quando, numa noite de Natal, encontra o cão Mondego, que estimava, morto. É a partir dessa noite que se torna uma personagem muito angustiada, porque, não havendo Deus para ele, tem de "reconstruir" a sua vida a partir de si próprio.
Para além de Alberto Soares ser bastante importante na obra, do ponto de vista da ação, também é para o autor, uma vez que consegue, através da personagem, expor a doutrina existencialista, que considera o homem um ser livre que constrói o seu próprio destino e que não há mais nada para além da morte.
Penso que Alberto Soares procurou definir-se perante si próprio e perante outros, opondo-se aos valores religiosos que recebeu nas suas origens. Foi esta maneira de pensar da personagem que me despertou algum interesse e curiosidade face à mesma. Também achei interessante o facto de a palavra do professor Alberto Soares ter sido mal interpretada por outra personagem, um tanto "louca", o Bexiguinha, que acaba por cometer algumas loucuras, fazendo com que Alberto se sinta responsável.
Concluindo, a personagem principal desta narrativa, mostra-nos certas inquietações muito comuns de alguns seres humanos.
sexta-feira, 18 de março de 2016
"Balada do Caixão", de António Nobre
O tema do poema "Balada do caixão", de António Nobre, é a morte. Neste texto, o assunto tratado é a antevisão e preparação do sujeito poético para o fim da sua vida. No que toca às linhas temáticas e às características do estilo e da linguagem da poesia de António Nobre, podemos encontrar temas mórbidos e a obsessão pela morte, sendo este o tema do poema. Como já foi dito, encontramos a conjugação do humor com temas sérios -«(...) Nenhum de vós, ao meu enterro,/ Irá mais dânde, olhai! do que eu!»-. Encontramos também neste poema um tom coloquial e pontuação que remetem para um certo prosaísmo -«(...) Fui-me lá, ontem:/ era Entrudo/ Havia imendo que fazer (...)/ Olá, bom homem! quero um fato,/ Tem que me sirva?- Vamos ver (...)»-. Em relação à influência das estéticas finisseculares, podemos ligar o gosto do poeta pelo macabro ao Decandentismo e, no que toca aos recursos estilísticos a que António Nobre recorre neste poema, temos a apóstrofe -« Ó meus Amigos! (...)»-, mas deparamo-nos principalmente com metáforas várias que compõem o eufemismo da morte ao longo do texto -« O meu vizinho é carpinteiro/ Algibebe da Dona Morte./ Penteia e cose, o dia inteiro,/ Fatos de pau de toda a sorte (...)»-.
Adriana Fernandes e Teresa Raposo
Amadeo de Souza Cardoso
Amadeo
de Souza-Cardoso, nascido a 14 de novembro de 1887, em Amarante, é considerado
o pintor mais representativo do modernismo português do princípio do século XX.
Filho
de Emília Cândida Ferreira Cardoso e José Emygdio de Sousa Cardoso, membros de
uma poderosa família da burguesia rural, Amadeo cresceu num ambiente de
privilégio e beneficiou de uma educação de nível elevado. Já em 1905,
entra no curso preparatório de desenho Academia Real de Belas-Artes, em Lisboa,
tendo partido em novembro desse ano para Paris, onde se instala no bairro de
Montparnasse, famoso pelo seu ambiente boémio e pela sua concentração de
artistas e intelectuais e vem então a realizar a sua primeira exposição no seu
atelier parisiense, juntamente com o pintor italiano Modigliani, de quem se
tornara amigo. Também estabeleceu laços de amizade com Robert Delaunay, Juan
Gris e Max Jacob, entre outros.
Em
1913, após publicar o álbum XX Dessins,
em Berlim, e ilustrar o manuscrito de La legende,
de Flaubert, é selecionado para participar na exposição que o levaria a
conhecer o modernismo europeu aos Estados Unidos. No ano seguinte regressa a
Portugal e à sua terra natal. No nosso país, Amadeo é incompreendido nas novas
tendências de arte que representa- o expressionismo, o cubismo, o futurismo, o
abstracionismo-, com exposições individuais mal recebidas no Porto e em Lisboa,
sobretudo pelo choque que causaram na tradicional sociedade lusa. Entretanto,
durante uma estadia na capital, estabelece amizade com Almada Negreiros e o
grupo Orpheu.
No período final da sua
vida seria afligido por uma doença de pele que lhe desfigura o rosto e o impede
de trabalhar com as mãos. Debilitado, abandona Manhufe rumo à cidade costeira
de Espinho para evitar a epidemia de Gripe Espanhola. Porém, vem a falecer a 25
de outubro de 1918, em Espinho, vítima da febre pneumónica.
Adriana Fernandes, Ana Cruz
Eça de Queiroz
Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Verzim a 25 de novembro de 1845. Foi um dos maiores romancistas la literatura portuguesa, como sabem, e muitos consideram que foi o principal escritor realista português e um grande renovador da prosa literária. Aderiu às correntes literárias do realismo e do naturalismo, e em quase todas as suas obras podemos encontrar um tom irónico e um tanto provocatório ou satanista, como, por exemplo, na personagem Carlos Fredique Marques, protagonista deO Mistério da Estrada de Sintra.
Eça começou por estudar no Porto, onde foi aluo de Ramalho de Ortigão, um dos membros da geração de 70, tal como Eça, e em 1861 ingressou no curso de Direito em Coimbra. Aí, conheceu outros dos membros da geração de 70, como Antero de Quental, e viveu num ambiente romântico de boémia e rebeldia. Mais tarde, foi para Lisboa e depois para Évora, onde começou uma carreira jornalística, dirigindo, redigindo e editando publicações como O Distrito de Évora, e colaborando noutras como A Gazeta de Portugal. Depois, sob a influência de Antero, Eça associou-se a um movimento de análise crítica à vida pública e lança as bases do naturalismo e do realismo nas Conferências do Casino. A partir desta altura, o autor inicia a vida profissional como cônsul, o que implicava diversas viagens e uma vida longe de Portugal. Em 1872, parte para Havana, em 1824, para Newcastle, em 1878, para Bristol, e em 1888 parte para Paris, onde vem a falecer a 16 de agosto de 1900.
Devido à distância de casa, Eça depara-se com dificuldades, algo que percebemos através de uma carta que escreveu a Ramalho de Ortigão, em abril de 1878 -«Eu trabalho nas Cenas Portuguesas, mas sob a influência do desalento. Convenci-me de que um artista não pode trabalhar longe do meio em que está a sua matéria artística»-. AsCenas Portuguesas ou Cenas da vida portuguesa eram um projeto de crónica dos costumes portugueses, que deveria ser composto por um conjunto de narrativas, mas não teve o fim desejado. Apesar de tal e do desânimo evidente no excerto acima transcrito, Eça fez valer a sua atividade literária entre os anos 70 e 80, com a escrita e publicação de diversos romances realistas e naturalistas. Entre estes, temos O Crime do Padre Amaro, O primo Basílio, A Relíquia e Os Maias. No entanto, Eça foi também o autor de narrativas com estilos que se afastavam um pouco destas correntes literárias, como O Mandarim. Numa carreira literária de cerca de 35 anos, marcada por uma obra muito vasta, podemos encontrar mudanças no estilo de Eça, através das quais este revela um sentido de insatisfação estética, no facto de ter submetido muitos dos seus textos a trabalhos de reescrita, mesmo após a sua publicação.
Os romances de Eça são todos marcados por uma caracterização minuciosa, tanto dos espaços, como das personagens. Por exemplo, muitas destas são caracterizadas como tipos sociais nos quias podemos ver aspetos fundamentais da vida pública portuguesa na segunda metade do século XIX. Aspetos, estes, alvos de uma forte crítica por parte do autor. Com o passar do tempo, estas referências realistas e naturalistas, ou seja, esta descrição cuidada da sociedade, foram sendo cada vez menos e o autor passou a focar-se mais na caracterização psicológica das suas personagens, algo que articula com a valorização de pontos de vista naturais e transformando e tempo narrativo em algo subjetivo e pessoa, como n'Os Maias. Estas transformações são consequência direta de ideologias e períodos nos quais Eça viveu, e que são tão evidentes e relevantes para a compreensão de cada obra.
A produção literária de Eça não se cingiu, contudo, a romances. Como referido anteriormente, o autor colaborou em jornais e escreveu diversos contos. Em toda a sua obra podemos encontrar críticas intemporais à sociedade portuguesa e até mesmo críticas fortíssimas à sua própria pessoa, tornado-se um dos mais célebres escritores e pensadores do século XIX.
Bibliografia: Machado, A. M. Dicionário de Literatura Portuguesa. Porto: Editorial Presença
Teresa Matta Raposo e Adriana Fernandes
quinta-feira, 17 de março de 2016
Quarta Paragem do Percurso Pessoano - Largo de S. Carlos
A quarta paragem do percusrso Pessoano foi no largo de S. Carlos, onde se situa o Teatro Nacional de S. Carlos. Nesta estação, a guia falou-nos um pouco sobre a infância e juventude de Fernando Pessoa.
O poeta português nasceu no dia de S. António de 1888, numa casa situada neste largo, e até à idade dos 8 anos viveu uma infância feliz e tranquila. Todavia, em 1892, o seu pai morreu vítima de tuberculose, e após este trágico acontecimento, a mãe de Pessoa quis mudar-se com os seus filhos para uma casa no Príncipe Real, o que entristeceu grandemente o poeta. No entanto, a maré de sofrimento que aquela família vivia estava longe de acabar quando, em 1894, morreu um dos irmãos do poeta. Além disso, para maior desgosto de Pessoa, a sua mãe casou novamente, em 1895, com o cônsul português da África do Sul, o que implicou a mudança da família para lá. O poeta sentiu-se tão desamparado com tudo isto que dizia mesmo não querer existir, e foi desta angústia e sofrimento que nasceu o seu primeiro heterónimo conhecido, Chevalier de pas. Mais tarde, Pessoa voltou para Lisboa com uma tia e ao longo da sua vida escreveu em português, inglês e francês, línguas que teve o privilégio de aprender devido ao facto de a sua mãe ser uma intelectual e promover este tipo de educação. O único livro escrito em português que publicou em vida foi A Mensagem, mas são conhecidos também escritos sobre a origem dos seus mais de cem heterónimos, um dos quais escreveu um poema em honra do largo de S. Carlos, cenário de infância tão adorado pelo poeta.
Adriana Fernandes, Teresa Raposo
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