quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Comentário do poema "Há dias", de Eugénio de Andrade

"Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda."

  Este poema foi um dos que me despertou mais interesse, visto que há uma alteração de estado de espírito no sujeito poético. No ínicio este releva-se frustrado e deprimido «Há dias em que julgamos/que todo o lixo do mundo/nos cai em cima», mas quando vai à varanda observar a rua, vê crianças a correr e a cantar e isso faz como o sujeito poético recorde a sua infância e em como foi feliz «(...)depois ao chegarmos à varanda avistamos/as crianças correndo no molhe/enquanto cantam(...) uma ou outra parece-me comigo(...) com o que fui quando cheguei a ser luminosa presença da graça ou da alegria».
  Ao regressar ao passado vai permitir que este volte a sorrir novamente «(...) um sorriso abre-se então num verão antigo/e dura/dura ainda.».

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