Poema "Um amigo", de Eduardo Bettencourt Pinto
"Um amigo
Há uma casa no olhar
de um amigo.
Nela entramos sacudindo a chuva.
Deixamos no cabide o casaco
fumegando ainda nos incêndios do dia.
Nas fontes e nos jardins
das palavras que trazemos
o amigo ergue o cálice
e o verão
das sementes.
Então abre as janelas das mãos para que cantem
a claridade, a água
e as pontes da sua voz
onde dançamos os mais árduos esplendores.
Um amigo somos nós, atravessando o olhar
e os véus sobre o rosto da vida
nas tardes de relâmpagos e nos exílios,
onde a ir nómada da cidade arde
como um cego em busca de luz."
Este poema "Um amigo", de Eduardo Bettencourt Pinto, fala sobre a importância da amizade, fazendo-me refletir sobre a mesma. Este é um sentimento único, tal como o amor, e todas as pessoas deveriam ter direito a ele.
Com um amigo, podemos falar, desabafar, rir. Mesmo que tenhamos um mau dia, essa pessoa consegue animar-nos, fazendo-nos voltar a sorrir. Eu não imaginaria a minha vida sem os meus amigos, pois acho que já fazem parte de mim, como se fossem família. No entanto, a amizade consegue ser bastante complexa.
Para ser amigo, é preciso ganhar a confiança da pessoa, não é de um dia para o outro, são gestos, palavras, atitudes que se fortalecem com o tempo.
Apesar de tudo, também tem aspetos negativos, visto que muitas das vezes as pessoas afastam-se ao longo do tempo, ou pela distância ou por outras amizades que vão surgindo e, assim, acabam por se "esquecer" um pouco da outra pessoa, mas será que é sempre assim? Se a amizade for realmente verdadeira e forte, não é algo que os consegue afastar ou até mesmo fazer esquecer. Um amigo é aquele que nos conforta nos momentos menos bons, tornando-os nos melhores momentos e é aquele que está sempre presente e disponível para nós, com uma porta aberta a qualquer momento.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Comentário do poema "Há dias", de Eugénio de Andrade
"Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda."
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda."
Este poema foi um dos que me despertou mais interesse, visto que há uma alteração de estado de espírito no sujeito poético. No ínicio este releva-se frustrado e deprimido «Há dias em que julgamos/que todo o lixo do mundo/nos cai em cima», mas quando vai à varanda observar a rua, vê crianças a correr e a cantar e isso faz como o sujeito poético recorde a sua infância e em como foi feliz «(...)depois ao chegarmos à varanda avistamos/as crianças correndo no molhe/enquanto cantam(...) uma ou outra parece-me comigo(...) com o que fui quando cheguei a ser luminosa presença da graça ou da alegria».
Ao regressar ao passado vai permitir que este volte a sorrir novamente «(...) um sorriso abre-se então num verão antigo/e dura/dura ainda.».
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