quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A amizade

Poema "Um amigo", de Eduardo Bettencourt Pinto

"Um amigo
Há uma casa no olhar
de um amigo.
Nela entramos sacudindo a chuva.
Deixamos no cabide o casaco
fumegando ainda nos incêndios do dia.
Nas fontes e nos jardins
das palavras que trazemos
o amigo ergue o cálice
e o verão
das sementes.
Então abre as janelas das mãos para que cantem
a claridade, a água
e as pontes da sua voz
onde dançamos os mais árduos esplendores.

Um amigo somos nós, atravessando o olhar
e os véus sobre o rosto da vida
nas tardes de relâmpagos e nos exílios,


onde a ir nómada da cidade arde
como um cego em busca de luz."

  Este poema "Um amigo", de Eduardo Bettencourt Pinto, fala sobre a importância da amizade, fazendo-me refletir sobre a mesma. Este é um sentimento único, tal como o amor, e todas as pessoas deveriam ter direito a ele.
  Com um amigo, podemos falar, desabafar, rir. Mesmo que tenhamos um mau dia, essa pessoa consegue animar-nos, fazendo-nos voltar a sorrir. Eu não imaginaria a minha vida sem os meus amigos, pois acho que já fazem parte de mim, como se fossem família. No entanto, a amizade consegue ser bastante complexa.
  Para ser amigo, é preciso ganhar a confiança da pessoa, não é de um dia para o outro, são gestos, palavras, atitudes que se fortalecem com o tempo.
  Apesar de tudo, também tem aspetos negativos, visto que muitas das vezes as pessoas afastam-se ao longo do tempo, ou pela distância ou por outras amizades que vão surgindo e, assim, acabam por se "esquecer" um pouco da outra pessoa, mas será que é sempre assim? Se a amizade for realmente verdadeira e forte, não é algo que os consegue afastar ou até mesmo fazer esquecer. Um amigo é aquele que nos conforta nos momentos menos bons, tornando-os nos melhores momentos e é aquele que está sempre presente e disponível para nós, com uma porta aberta a qualquer momento.

Comentário do poema "Há dias", de Eugénio de Andrade

"Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda."

  Este poema foi um dos que me despertou mais interesse, visto que há uma alteração de estado de espírito no sujeito poético. No ínicio este releva-se frustrado e deprimido «Há dias em que julgamos/que todo o lixo do mundo/nos cai em cima», mas quando vai à varanda observar a rua, vê crianças a correr e a cantar e isso faz como o sujeito poético recorde a sua infância e em como foi feliz «(...)depois ao chegarmos à varanda avistamos/as crianças correndo no molhe/enquanto cantam(...) uma ou outra parece-me comigo(...) com o que fui quando cheguei a ser luminosa presença da graça ou da alegria».
  Ao regressar ao passado vai permitir que este volte a sorrir novamente «(...) um sorriso abre-se então num verão antigo/e dura/dura ainda.».

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Apreciação da ida à escola preparatória du Bocage

  No passado dia 12 de novembro, dirigimo-nos no âmbito das disciplinas de português e literatura portuguesa, à escola básica 2/3 du Bocage com a finalidade de proporcionar a duas turmas uma apresentação sobre Bocage em homenagem aos 250 anos do seu nascimento e sobre a disciplina de literatura portuguesa. A nossa turma, 11ºI, foi dividida em dois grupos e as apresentações foram realizadas separadamente.
  A primeira apresentação ficou aquém das expetativas. O grupo estava tenso, uma vez que nunca havíamos feito tal coisa e dado que não nos foi possível arranjar horário para fazer um ensaio em que estivesse presente o grupo completo de modo a ajustarmos o que cada um deveria dizer.
  Além disso, o público não se mostrou interessado nem recetivo e sentimos que estavam um pouco distantes, chegando mesmo a ter uma atitude de desrespeito para conosco.
  Todavia, a apresentação do segundo grupo decorreu, em relação à nossa, de forma mais descontraída. A nossos olhos, o grupo sentiu-se mais à vontade, talvez pelo facto de a audiência transmitir outro tipo de confiança, o que também permitiu uma maior proximidade e interação entre ambos.
  Como já foi referido, foi algo novo para nós e, apesar de pertencermos ao primeiro grupo e considerarmos que a apresentação poderia ter sido melhor, sentimos que foi uma experiência enriquecedora que será uma mais valia para o nosso futuro.

Adriana Fernandes, Teresa Raposo

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Paula Vicente de "Um Auto de Gil Vicente"

  Eu, Paula Vicente, filha de um grande poeta Gil Vicente, estou aqui para contar a minha história.
  Sou uma comediante vivo para esta profissão, mas sinto-me injustiçada, pois a minha profissão não é valorizada pelas pessoas. Também não era, de todo, esta a vida que desejava para mim. Com esta profissão nada é o que parece, pois não me posso expressar à minha maneira, é tudo a fingir. 
  Tornei-me criada de D.Beatriz e éramos bastante amigas. No entanto, as suas confidências em relação a Bernardim custavam-me muito, pois ambas tínhamos uma paixão imensa por este poeta, porém todo o seu pensamento era para D.Beatriz. Estou magoada por Bernardim não sentir o mesmo que eu...
  Apesar de não ser correspondida, eu apoio, incondicionalmente, o relacionamento entre os dois, ajudando-os a encontrarem-se sem que ninguém desconfiasse.

domingo, 24 de maio de 2015

Eu Bocage...

Eu, Bocage, nascido aos quinze dias do mês de setembro de 1765, fui, segundo muitos, o maior poeta português do séc. XVIII. Vi pela primeira vez a luz do dia na cidade de Setúbal, mas cedo me mudei para o Alentejo. Vivi na época do Iluminismo e tive a sorte de pertencer a uma família culta, o que teve um grande impacto na minha vocação de poeta. Ainda durante a minha infância, o meu pai foi preso e fiquei órfão de mãe. Porém, agora que reflito sobre a minha vida, apercebo-me de que também fui alvo de boas experiências, como o facto de ter tido a possibilidade de me instruir no latim. Nos primeiros anos da minha vida, Portugal era governado por D. José, no entanto, este foi rapidamente substituído por D. Maria I, que expulsou o Marquês de Pombal do seu cargo como secretário de estado. Todavia, foi neste reinado que viveu Diogo Inácio de Pina Manique, um dos meus futuros inimigos, mas essa é uma história que contarei mais à frente, estimado público.
            Aos 16 anos, integrei, voluntariamente, o regime de Infantaria de Setúbal, porém, mais tarde, alistei-me na Companhia de Guarda-Marinha, onde adquiri vários conhecimentos em diversas áreas, desde a náutica às línguas. Foi nesta altura que comecei a ser conhecido como um grande improvisador satírico. Contudo, nunca pensei vir a ser o consagrado poeta em que me tornei, em parte devido à vida boémia que levava, mas este é um pormenor do qual vos peço segredo. Devo confessar que enquanto estive na Companhia de Guarda-Marinha, houve alguns problemas que levaram à minha deserção. Ainda assim, foram depressa resolvidos e eu tive o privilégio de ser nomeado Guarda-Marinha da Armada do Estado da Índia. Na altura, o rumo que a minha vida levava parecia aproximar-se cada vez mais do rumo que tivera a vida de uma das minhas maiores inspirações, o grande Camões -«Camões, grande Camões, quão semelhante/ Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!/ Igual causa nos fez, perdendo o Tejo (…)»-.
            No ano de 1790, regressei à Pátria e tornei-me membro da Nova Arcádia ou Academia das Belas-Letras, onde procurávamos combater os exageros do período Barroco e, de certa forma, começámos a evidenciar o Neoclassicismo, ao criar um breve regresso ao Classicismo em aspetos como a referência e descrição da natureza nos nossos poemas, ou a presença da mitologia nas nossas obras -«Segui Marte depois, enfim, meu fado/ Dos irmãos e do pai me pôs distante»-. Permaneci na Arcádia quatro anos. Porém, acabei também por ser expulso devido a desavenças pessoais com outros membros, principalmente com o padre José Agostinho de Macedo, mas não vos preocupeis, dado que mais tarde lhe dediquei uma das minhas obras, A Pena de Talião. Na altura da minha ingressão na Nova Arcádia, adotei livremente o pseudónimo de Elmano Sadino, o qual podeis encontrar como assinatura de diversos poemas da minha autoria.
            Após ser expulso da Academia das Belas-Letras, escolhi ingressar na Maçonaria o que levou a uma grande aproximação minha dos ideais da revolução francesa: Liberté, Égalité, Fraternité, liberdade; igualdade e fraternidade, se desejais traduzir para o nosso português. Assim, comecei a apoiar também os ideais iluministas e tornei-me uma das mais importantes figuras do Iluminismo em Portugal -«Liberdade querida e suspirada/ Que o Despotismo acérrimo condena (…)»-. No entanto, como já deveis ter entendido, colecionei vários inimigos ao longo da minha vida, entre os quais se encontra o Intendente Pina Manique, como referi anteriormente, sujeito esse que tentava combater os revolucionários e que me mandou prender.  Em primeiro lugar, estive na prisão do Limoeiro, mas fui posteriormente transferido para o cárcere da Inquisição no Rossio, e ainda para o convento de S. Bento da Saúde e finalmente para o Real Hospício de Nossa Senhora das Necessidades. Como deveis imaginar, quando fui libertado, tentei mostrar-me um pouco mais cauteloso quanto aos meus ideais revolucionários.
            Enquanto preso, comecei a fazer trabalhos de tradução e não abandonei este cargo após o meu regresso à liberdade. Desde o ano de 1791 até à hora em que Deus me tirou a vida, tive a possibilidade de publicar diversas obras e ainda em 1801, Pina Manique começou a considerar-me menos perigoso e chegou até a convidar-me a participar numa sessão académica promovida por ele mesmo. Aos vinte e um dias do mês de dezembro de 1805, foi a hora em que Deus decidiu que já não havia mais nada para mim neste planeta e, dessa forma, levou-me para o céu.
            Muitos estudiosos da atualidade também me consideram um poeta Pré-Romântico devido ao facto de ser um tipo de poesia de improviso que surge nos outeiros ou que se pode oferecer a quem frequenta botequins, tal como eu fiz durante a minha vida. Além disso, estimado público, os da atualidade ligam as temáticas do fatalismo e da procura do isolamento ao período romântico e interpretam as minhas obras mais sombrias como sendo poemas que viriam a originar essa época.
Vós pensais como quiserdes, pois a verdade é que de onde eu estou vejo tudo e permitam-me desde já louvar a estátua que fizeram em minha honra na praça que apresenta o meu nome, na cidade onde nasci e dizer-vos que me sinto um afortunado, neste paraíso onde posso desfrutar da companhia do grande Camões.


             Adriana Fernandes, Joana Fontes, Teresa Raposo

sábado, 23 de maio de 2015

"Amor de perdição", de Camilo Castelo Branco

   "Amor de perdição", foi o livro que apresentei, por último, este ano.
  Esta obra é um romance que nos faz lembrar, um pouco, a peça de "Romeu e Julieta", baseada num romance impossível devido ao conflito entre famílias que se odeiam. 
  Simão Botelho, filho de Domingues Botelho e de D. Rita, apaixona-se por Teresa de Albuquerque, filha de Tadeu de Albuquerque. No entanto este é um amor impossível, porque as suas famílias eram rivais. 
  Quando Tadeu de Albuquerque descobre o namoro entre Teresa e Simão, tenta obrigá-la a casar com o seu primo Baltasar Coutinho. Mas Teresa recusa e conta Baltasar, que se encontra com ela. Entretanto, Simão é ferido e salvo por um ferrador, amigo fiel a seu pai. Este leva-o para sua casa em Viseu, onde é tratado pela sua filha Mariana, que se apaixona por Simão, porém não é correspondida.
   Com tudo isto, Teresa é mandada para um convento acompanhada pelo seu primo. Teresa avisa Simão e este já desesperado vai ate lá e mata Baltasar!
   Simão vai para a Índia durante 10 anos, como castigo.
  Mas os destinos de Teresa e Simão cruzam-se... e como sabem, não vou dizer o final.
  Esta história foi uma das que mais gostei até agora. A meu ver, uma história única, onde se pode observar um amor verdadeiro e genuíno entre Teresa e Simão. Passavam muito tempo sem se ver, porém a sua paixão era de tal maneira forte, que nem a distância os impedia de amar cada vez mais a cada diz que passava.
  O final, inesperado mostra-nos, realmente a força do amor e faz-nos refletir sobre esse verdadeiro sentimento.
  

sábado, 14 de março de 2015

"Homenagem ao Papagaio Verde", de Jorge de Sena

"Homenagem ao Papagaio Verde", do livro "Os Grão-Capitães" foi o livro que apresentei no âmbito da disciplina de literatura.
  Neste conto, o narrador reflete sobre o seu passado, nomeadamente, a sua infância e pré-adolescência. Nesta história há uma grande cumplicidade com uma ave que se tornou o centro do seu mundo.
  A meu ver, este conto é único, porque nos transporta para um mundo afetivo em que há uma dependência que, vai crescendo, entre um papagaio, um mero animal de estimação, e uma criança. Esta aproximação acontece devido a várias situações. Uma delas é o facto de não ter uma relação muito próxima com os seus pais. A função do papagaio acaba por ser o preenchimento da ausência de uma figura humana. Mas o animal acaba por morrer devido a uma doença.
  A parte que eu mais gostei foi o fim, porque o narrador já é adulto e confessa que ao longo da vida, sempre que tem problemas há um anjo da guarda que o consola e esse anjo da guarda tem asas verdes.
  Eu gostei bastante deste conto, como já referi anteriormente para mim é único, porque se pôde assistir a uma progressiva aproximação entre um animal e o rapaz. Mais uma vez se vê que os animais são uma grande companhia para as pessoas, sobretudo para os que sofrem de solidão.

sexta-feira, 13 de março de 2015

"Silêncio", de Sophia de Mello Breyner Andersen

   "Silêncio", do livro "Histórias da Terra e do Mar" foi o conto que apresentei no âmbito da disciplina de português.
  Este conto apresenta-nos uma mulher chamada Joana, que está a lavar a loiça de forma metódica, sentindo que ao lavá-la limpava a sua alma. O ambiente que a envolvia era de tranquilidade e tudo se encontrava no seu devido lugar. A certa altura Joana vai à janela e aprecia a noite calma e serena que estava, até que derepente ouviu um grito de uma mulher. Era um grito angustiante e mostrava desespero, que acaba por perturbar a harmonia de Joana.
  O conto "Silêncio" prova que o ser humano é influenciado pelo mundo que o rodeia e leva-nos a refletir acerca do que nos preocupa, o que nos torna felizes ou infelizes, visto que a felicidade e a tranquilidade de Joana foram afetadas pelo sofrimento de uma mulher desconhecida.

quinta-feira, 12 de março de 2015

"Búzio de Cós", de Sophia de Mello Breyner Andersen

  "Búzio de Cós" foi o livro que apresentei no âmbito da disciplina de literatura.
  Neste livro, Sohpia, na maior parte dos poemas refere-se ao mar e à natureza, por isso penso que eram dois elementos bastante importantes para a autora e era através deles que se inspirava. Também se nota uma grande admiração pela antiguidade clássica, referindo-se a locais situados na Grécia, como os museus gregos e as colunas clássicas.
  Há alguns poemas que são muito breves e por isso não os percebi muito bem, mas apesar disso, gostei bastante deste livro, principalmente de um poema "Era o tempo".
  "Era o tempo das amizades visionárias
  Entregues à sombra à luz à penumbra
  E ao rumor mais secreto das ramagens
  Era o tempo extático das luas
  Quando a noite se azulava fabulosa e lenta
  Era o tempo do múltiplo desejo e da paixão
  Os dias como harpas ressoavam 
  Era o tempo de oiro das praias luzidias
  Quando a fome de tudo se ascendia."
  Este transmitiu-me alguma tranquilidade e harmonia, ligados à recordação de um passado feliz, em que havia amizade e paixão.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Autorretrato

O que sou...

Sou uma pessoa simples, por norma muito introvertida e muito pouco expansiva em relação aos meus sentimentos e às minhas atitudes. Considero-me bastante negativa e por vezes orgulhosa, o que pode ser bom ou mau. Para além disso, sou também muito teimosa. Apesar de tudo isto, sou uma pessoa bastante sensível. Gosto que me respeitem, assim como eu respeito o póximo, que me tratem bem e que sejam divertidos. Adoro rir e de pessoas que me façam rir.

O que pareço ser...

À primeira vista, pareço ser uma pessoa fria, ou até mesmo arrogante, não demonstrando realmente quem sou. Mas na verdade, com os meus amigos mais próximos e família, sou divertida, por vezes chata, o que penso que é normal, pois todos nós temos de ter um lado mais chato, mas sempre um pouco tímida. 

O que quero ser...

Quero ser bem sucedida, ter uma vida estável, um emprego de que goste, construír uma família, ter filhos e um marido que me compreenda e que me apoie em tudo o que eu fizer. Adoro viajar, e espero que o meu futuro o premita, apesar de ter os meus medos, mas isso não me impedirá de fazer o que quero.