domingo, 24 de maio de 2015

Eu Bocage...

Eu, Bocage, nascido aos quinze dias do mês de setembro de 1765, fui, segundo muitos, o maior poeta português do séc. XVIII. Vi pela primeira vez a luz do dia na cidade de Setúbal, mas cedo me mudei para o Alentejo. Vivi na época do Iluminismo e tive a sorte de pertencer a uma família culta, o que teve um grande impacto na minha vocação de poeta. Ainda durante a minha infância, o meu pai foi preso e fiquei órfão de mãe. Porém, agora que reflito sobre a minha vida, apercebo-me de que também fui alvo de boas experiências, como o facto de ter tido a possibilidade de me instruir no latim. Nos primeiros anos da minha vida, Portugal era governado por D. José, no entanto, este foi rapidamente substituído por D. Maria I, que expulsou o Marquês de Pombal do seu cargo como secretário de estado. Todavia, foi neste reinado que viveu Diogo Inácio de Pina Manique, um dos meus futuros inimigos, mas essa é uma história que contarei mais à frente, estimado público.
            Aos 16 anos, integrei, voluntariamente, o regime de Infantaria de Setúbal, porém, mais tarde, alistei-me na Companhia de Guarda-Marinha, onde adquiri vários conhecimentos em diversas áreas, desde a náutica às línguas. Foi nesta altura que comecei a ser conhecido como um grande improvisador satírico. Contudo, nunca pensei vir a ser o consagrado poeta em que me tornei, em parte devido à vida boémia que levava, mas este é um pormenor do qual vos peço segredo. Devo confessar que enquanto estive na Companhia de Guarda-Marinha, houve alguns problemas que levaram à minha deserção. Ainda assim, foram depressa resolvidos e eu tive o privilégio de ser nomeado Guarda-Marinha da Armada do Estado da Índia. Na altura, o rumo que a minha vida levava parecia aproximar-se cada vez mais do rumo que tivera a vida de uma das minhas maiores inspirações, o grande Camões -«Camões, grande Camões, quão semelhante/ Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!/ Igual causa nos fez, perdendo o Tejo (…)»-.
            No ano de 1790, regressei à Pátria e tornei-me membro da Nova Arcádia ou Academia das Belas-Letras, onde procurávamos combater os exageros do período Barroco e, de certa forma, começámos a evidenciar o Neoclassicismo, ao criar um breve regresso ao Classicismo em aspetos como a referência e descrição da natureza nos nossos poemas, ou a presença da mitologia nas nossas obras -«Segui Marte depois, enfim, meu fado/ Dos irmãos e do pai me pôs distante»-. Permaneci na Arcádia quatro anos. Porém, acabei também por ser expulso devido a desavenças pessoais com outros membros, principalmente com o padre José Agostinho de Macedo, mas não vos preocupeis, dado que mais tarde lhe dediquei uma das minhas obras, A Pena de Talião. Na altura da minha ingressão na Nova Arcádia, adotei livremente o pseudónimo de Elmano Sadino, o qual podeis encontrar como assinatura de diversos poemas da minha autoria.
            Após ser expulso da Academia das Belas-Letras, escolhi ingressar na Maçonaria o que levou a uma grande aproximação minha dos ideais da revolução francesa: Liberté, Égalité, Fraternité, liberdade; igualdade e fraternidade, se desejais traduzir para o nosso português. Assim, comecei a apoiar também os ideais iluministas e tornei-me uma das mais importantes figuras do Iluminismo em Portugal -«Liberdade querida e suspirada/ Que o Despotismo acérrimo condena (…)»-. No entanto, como já deveis ter entendido, colecionei vários inimigos ao longo da minha vida, entre os quais se encontra o Intendente Pina Manique, como referi anteriormente, sujeito esse que tentava combater os revolucionários e que me mandou prender.  Em primeiro lugar, estive na prisão do Limoeiro, mas fui posteriormente transferido para o cárcere da Inquisição no Rossio, e ainda para o convento de S. Bento da Saúde e finalmente para o Real Hospício de Nossa Senhora das Necessidades. Como deveis imaginar, quando fui libertado, tentei mostrar-me um pouco mais cauteloso quanto aos meus ideais revolucionários.
            Enquanto preso, comecei a fazer trabalhos de tradução e não abandonei este cargo após o meu regresso à liberdade. Desde o ano de 1791 até à hora em que Deus me tirou a vida, tive a possibilidade de publicar diversas obras e ainda em 1801, Pina Manique começou a considerar-me menos perigoso e chegou até a convidar-me a participar numa sessão académica promovida por ele mesmo. Aos vinte e um dias do mês de dezembro de 1805, foi a hora em que Deus decidiu que já não havia mais nada para mim neste planeta e, dessa forma, levou-me para o céu.
            Muitos estudiosos da atualidade também me consideram um poeta Pré-Romântico devido ao facto de ser um tipo de poesia de improviso que surge nos outeiros ou que se pode oferecer a quem frequenta botequins, tal como eu fiz durante a minha vida. Além disso, estimado público, os da atualidade ligam as temáticas do fatalismo e da procura do isolamento ao período romântico e interpretam as minhas obras mais sombrias como sendo poemas que viriam a originar essa época.
Vós pensais como quiserdes, pois a verdade é que de onde eu estou vejo tudo e permitam-me desde já louvar a estátua que fizeram em minha honra na praça que apresenta o meu nome, na cidade onde nasci e dizer-vos que me sinto um afortunado, neste paraíso onde posso desfrutar da companhia do grande Camões.


             Adriana Fernandes, Joana Fontes, Teresa Raposo

sábado, 23 de maio de 2015

"Amor de perdição", de Camilo Castelo Branco

   "Amor de perdição", foi o livro que apresentei, por último, este ano.
  Esta obra é um romance que nos faz lembrar, um pouco, a peça de "Romeu e Julieta", baseada num romance impossível devido ao conflito entre famílias que se odeiam. 
  Simão Botelho, filho de Domingues Botelho e de D. Rita, apaixona-se por Teresa de Albuquerque, filha de Tadeu de Albuquerque. No entanto este é um amor impossível, porque as suas famílias eram rivais. 
  Quando Tadeu de Albuquerque descobre o namoro entre Teresa e Simão, tenta obrigá-la a casar com o seu primo Baltasar Coutinho. Mas Teresa recusa e conta Baltasar, que se encontra com ela. Entretanto, Simão é ferido e salvo por um ferrador, amigo fiel a seu pai. Este leva-o para sua casa em Viseu, onde é tratado pela sua filha Mariana, que se apaixona por Simão, porém não é correspondida.
   Com tudo isto, Teresa é mandada para um convento acompanhada pelo seu primo. Teresa avisa Simão e este já desesperado vai ate lá e mata Baltasar!
   Simão vai para a Índia durante 10 anos, como castigo.
  Mas os destinos de Teresa e Simão cruzam-se... e como sabem, não vou dizer o final.
  Esta história foi uma das que mais gostei até agora. A meu ver, uma história única, onde se pode observar um amor verdadeiro e genuíno entre Teresa e Simão. Passavam muito tempo sem se ver, porém a sua paixão era de tal maneira forte, que nem a distância os impedia de amar cada vez mais a cada diz que passava.
  O final, inesperado mostra-nos, realmente a força do amor e faz-nos refletir sobre esse verdadeiro sentimento.